Alex Nabuco dos Santos analisa o risco invisível do histórico de valorização isolado.

O risco invisível de decisões imobiliárias baseadas apenas em histórico de valorização

By Kotova Belov 5 Min Read
Alex Nabuco dos Santos analisa o risco invisível do histórico de valorização isolado.

Alex Nabuco dos Santos ressalta que o histórico de valorização é uma das referências mais sedutoras e mais perigosas do mercado imobiliário. Embora olhar para trás ajude a entender movimentos passados, transformar esse histórico no principal critério de decisão cria uma falsa sensação de segurança. O passado explica trajetórias, mas não garante continuidade.

A valorização anterior simplifica a análise porque elimina a necessidade de questionar o presente. Quando um imóvel ou região “sempre valorizou”, muitos investidores assumem que o comportamento se repetirá automaticamente. Essa suposição ignora mudanças silenciosas que afetam demanda, liquidez e risco, tornando decisões aparentemente conservadoras estruturalmente frágeis.

Quando o passado substitui a leitura do presente

Em diversas situações, o histórico passa a ocupar o lugar da análise atual. Regiões que cresceram por determinado vetor (crédito abundante, expansão urbana ou escassez pontual) continuam sendo tratadas como apostas óbvias mesmo após esses fatores perderem força. Conforme pontua Alex Nabuco dos Santos, o erro está em confundir referência com garantia.

O mercado imobiliário reage ao contexto vigente, não ao retrospecto. Quando a decisão se ancora apenas em séries históricas, ela deixa de considerar elementos como saturação de oferta, mudança no perfil do comprador e novas alternativas concorrentes. O imóvel pode ter valorizado muito, mas já não apresentar os mesmos fundamentos para repetir o desempenho.

Valorização é consequência, não premissa

Outro equívoco recorrente é tratar valorização como fundamento. Na prática, ela é consequência de fatores como uso claro, demanda consistente, liquidez relativa e custo de reposição. Quando esses elementos se enfraquecem, a valorização deixa de ser provável, mesmo que o histórico seja positivo.

Alex Nabuco dos Santos elucida que imóveis comprados apenas pelo desempenho passado costumam entrar no patrimônio sem margem de segurança. O preço já embute expectativa otimista, reduzindo espaço para erro. Caso o cenário não se confirme, o ajuste ocorre primeiro na negociação, depois no preço, restringindo opções do investidor.

O risco da generalização histórica

Históricos amplos escondem diferenças importantes. Uma mesma região pode apresentar desempenhos muito distintos entre microrregiões, tipologias e padrões construtivos. Generalizar o passado ignora essas nuances e amplia o risco de adquirir ativos que não capturam os vetores responsáveis pela valorização anterior.

Decisões imobiliárias e o risco invisível da valorização segundo Alex Nabuco dos Santos.
Decisões imobiliárias e o risco invisível da valorização segundo Alex Nabuco dos Santos.

Alex Nabuco dos Santos analisa que a média raramente representa o imóvel específico. O mercado precifica detalhes, não estatísticas gerais. Quando a decisão se baseia apenas em dados agregados, a probabilidade de frustração aumenta, mesmo em mercados considerados “seguros”.

Mudanças estruturais que o histórico não mostra

O histórico também falha em antecipar mudanças estruturais. Saturação de oferta, envelhecimento do estoque, alteração no comportamento do usuário e evolução tecnológica impactam diretamente o desempenho futuro. Esses fatores não aparecem nos gráficos passados, mas definem a capacidade de adaptação do ativo.

Ademais, quando a valorização se torna consenso, grande parte do movimento já ocorreu. Comprar acreditando na repetição automática do passado costuma significar entrada tardia. O risco não está em comprar após a valorização, mas em comprar sem entender por que ela aconteceu.

Liquidez como teste da tese

A liquidez funciona como teste prático da validade do histórico. Ativos sustentados por fundamentos atuais continuam negociando, ainda que com mais critério. Já imóveis dependentes de memória de valorização perdem fluidez rapidamente quando o mercado se torna seletivo.

Alex Nabuco dos Santos observa que, nesses casos, o discurso de venda se apoia excessivamente no passado, enquanto o presente já não convence. Quando o imóvel exige narrativa longa para justificar preço, o histórico deixou de ser suficiente.

Substituir memória por método

O histórico não deve ser descartado, mas reposicionado. Ele serve como contexto, não como tese central. Decisões mais sólidas partem da análise do presente, projetam cenários plausíveis e testam o ativo contra condições adversas. Quando o histórico reforça essa leitura, ele agrega valor. Quando a substitui, cria fragilidade.

No mercado imobiliário, valor não se herda do passado, se constrói no agora. Na percepção de Alex Nabuco dos Santos, proteger patrimônio é atualizar constantemente a leitura do cenário. Quando o investidor troca memória por método, o histórico deixa de ser risco invisível e passa a ser apenas uma referência entre muitas.

Autor: Kotova Belov

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