Por que a governança de dados influencia a recuperação de ativos em NPLs: Felipe Rassi analisa como estratégia, controle e informação qualificada impactam resultados financeiros.

Por que a governança de dados influencia a recuperação de ativos em NPLs

By Diego Velázquez 6 Min Read
Por que a governança de dados influencia a recuperação de ativos em NPLs: Felipe Rassi analisa como estratégia, controle e informação qualificada impactam resultados financeiros.

Felipe Rassi indica que a governança de dados, em carteiras de crédito não performado, não é um tema “de suporte”, porque ela define o que pode ser demonstrado com rapidez, o que precisa ser saneado e o que tende a virar ruído na negociação. Nesse sentido, recuperar ativos em NPLs exige mais do que contato e proposta, exige consistência de informação, pois o valor cobrado, a titularidade e a própria identificação do crédito dependem de dados que precisam se confirmar entre planilhas, sistemas e documentos.

Governança como forma de reduzir ruídos recorrentes

Em linhas gerais, governança de dados é o conjunto de regras que organiza quem registra, quem altera, quem valida e como cada informação é rastreada ao longo do tempo. Contudo, em NPLs, isso ganha peso prático porque a cobrança costuma ser contestada por premissas, por exemplo, data-base do saldo, abatimentos, renegociações e divergências de cadastro. Conforme pontua Felipe Rassi, quando a carteira não tem uma “fonte de verdade” definida para cada campo crítico, surgem duas narrativas concorrentes, uma na planilha e outra nos documentos, o que tende a travar acordo antes mesmo de discutir a condição de pagamento. 

Entenda como a governança de dados fortalece a recuperação de ativos em NPLs e quais práticas Felipe Rassi destaca para ampliar eficiência e segurança nas operações.
Entenda como a governança de dados fortalece a recuperação de ativos em NPLs e quais práticas Felipe Rassi destaca para ampliar eficiência e segurança nas operações.

Por outro lado, governança não significa criar camadas de burocracia. Ela significa diminuir improviso, definindo padrões mínimos de preenchimento, validações simples e trilhas de correção para inconsistências frequentes. Sendo assim, uma carteira governada evita que o time descubra o problema apenas no meio da negociação, pois a inconsistência é detectada e tratada antes de virar objeção repetida.

Qualidade do dado e demonstrabilidade do saldo

A recuperação de ativos depende de um saldo demonstrável, e não apenas de um número final. Sem governança, a memória de cálculo tende a se fragmentar, com pagamentos fora de ordem, abatimentos não registrados e critérios de atualização implícitos. Segundo Felipe Rassi, a governança se materializa quando a operação padroniza a data-base, define parâmetros de atualização alinhados ao contrato e registra os eventos que alteram a trajetória do saldo, como renegociações e acordos anteriores, evitando lacunas que alimentam contestações.

Em contrapartida, quando a carteira admite variações soltas, como campos financeiros preenchidos de formas diferentes em cada lote, o custo de conferência aumenta e a cobrança perde ritmo. Assim, a governança influencia diretamente a recuperação ao melhorar a previsibilidade operacional. A proposta passa a se apoiar em um saldo explicável e rastreável, o que reduz retrabalho, evita idas e vindas e encurta o caminho até a formalização.

Titularidade e controle de versões em carteiras cedidas

Em carteiras com cessão de crédito, a governança de dados se relaciona diretamente à titularidade. Conforme observa Felipe Rassi, a legitimidade da cobrança depende da capacidade de vincular cada crédito do anexo ao respectivo contrato e, quando há múltiplas cessões, de demonstrar a sequência documental completa, sem lacunas. Nesse contexto, o controle de versões deixa de ser um detalhe técnico. 

Se os anexos circulam em versões diferentes, com campos alterados sem registro, a operação perde rastreabilidade e se expõe a questionamentos sobre quem detém o direito de cobrar e qual saldo está vigente. Ainda assim, a solução pode ser objetiva. A carteira pode adotar regras simples, como o versionamento de anexos com data, responsável e histórico de alterações, a validação de chaves de identificação, como número de contrato, CPF ou CNPJ e chaves internas, e a checagem sistemática de duplicidades.

Governança aplicada à execução sem promessas

A governança de dados influencia a execução porque ela organiza a tomada de decisão. Desse modo, segmentação por qualidade de cadastro, completude documental e consistência de saldo deixa de ser “sensação” e passa a ser regra. Na avaliação de Felipe Rassi, isso permite criar trilhas paralelas, uma trilha para negociação com casos que atendem ao pacote mínimo, outra para saneamento com prazos e checklists, evitando que exceções contaminem o fluxo de cobrança em escala.

Diante do exposto, nota-se que a governança de dados não serve para prometer resultado, serve para reduzir ruídos previsíveis e tornar a cobrança mais verificável. Por fim, Felipe Rassi enfatiza que, em NPLs, a recuperação de ativos tende a depender do que pode ser demonstrado com consistência, pois é a coerência entre dados e documentos que sustenta negociação, formalização e acompanhamento.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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