Tiago Schietti

Atendimento humanizado: transforme a despedida em um ato de amor e compreensão

Por Diego Velázquez 6 Min de leitura
Tiago Schietti

Tiago Schietti, como empresário do setor cemiterial e funerário, elucida que o atendimento humanizado deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar uma exigência ética de qualquer operação funerária responsável. Essa mudança de perspectiva, ainda em curso em muitas regiões do país, reflete uma transformação profunda na forma como a sociedade brasileira compreende o luto, a morte e o cuidado com quem fica.

Durante décadas, o setor funerário operou sob uma lógica predominantemente procedimental: cumprir rituais, respeitar prazos legais e entregar serviços dentro de um padrão técnico mínimo. Mas esse modelo foi sendo pressionado por mudanças sociais, pelo avanço das ciências do luto e pela crescente exigência das famílias por acolhimento genuíno nos momentos mais delicados de suas vidas. O resultado é um setor em reorganização, buscando integrar competência técnica e sensibilidade humana de forma indissociável.

Para entender como essa transição está acontecendo na prática, quais são os obstáculos reais enfrentados pelos profissionais e o que esperar das próximas etapas dessa evolução, continue lendo.

O que significa humanizar o atendimento funerário?

Humanizar o atendimento funerário vai muito além de treinar equipes para falar com voz suave ou decorar frases de conforto. Tiago Schietti transmite que a humanização começa antes do primeiro contato com a família enlutada e se estende muito depois do sepultamento ou cremação. Ela envolve processos, espaços físicos, linguagem, tempo de escuta e uma cultura organizacional inteira orientada para a dignidade do outro.

Na prática, isso significa redesenhar fluxos de atendimento para eliminar burocracia desnecessária nas horas de maior vulnerabilidade emocional. Significa também capacitar profissionais não apenas em técnicas de comunicação, mas em psicologia do luto, diversidade cultural e religiosa, e competência emocional para suportar o peso simbólico de estar presente em momentos de perda. Cemitérios e funerárias que avançaram nesse caminho relatam mudanças significativas na percepção das famílias atendidas, com impacto direto na reputação e na fidelização a longo prazo.

Tiago Schietti
Tiago Schietti

Por que o Brasil ainda enfrenta tantos desafios no acolhimento às famílias enlutadas?

A resposta honesta passa por reconhecer que o setor funerário brasileiro é extremamente heterogêneo. Existem operações altamente profissionalizadas em grandes centros urbanos, com equipes treinadas, certificações e protocolos rigorosos e, ao mesmo tempo, serviços precários em municípios menores, onde a informalidade ainda prevalece e o atendimento às famílias depende, muitas vezes, da boa vontade individual de um funcionário sem qualquer formação específica.

Como empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Schietti pontua que esse cenário de disparidade é um dos maiores desafios para quem trabalha com a profissionalização do segmento. A regulamentação existe, mas sua aplicação é irregular. A Acembra Sincep tem avançado na criação de diretrizes e boas práticas que orientam os associados, mas o alcance dessas iniciativas ainda precisa ser ampliado para transformar o padrão geral do setor em escala nacional.

Tecnologia e empatia: ferramentas que estão redefinindo o cuidado funerário

A tecnologia entrou no setor funerário não para substituir o calor humano, mas para amplificar a capacidade de cuidado. Plataformas de gestão de atendimento, aplicativos de acompanhamento familiar, sistemas de agendamento e comunicação transparente com os familiares têm reduzido o atrito burocrático e liberado os profissionais para focar no que realmente importa: a escuta, a presença e o suporte emocional.

Como sugere Tiago Schietti, a integração entre tecnologia e empatia é um dos movimentos mais promissores para os próximos anos no segmento. Ferramentas digitais bem implementadas permitem que a família receba informações claras em tempo real sobre o andamento dos serviços, elimine deslocamentos desnecessários em momentos de fragilidade e mantenha contato com a equipe de suporte sem depender de ligações telefônicas que muitas vezes não chegam a ser atendidas.

O cuidado vai além do serviço prestado

Existe uma dimensão do atendimento humanizado que raramente é mencionada nas discussões técnicas do setor, mas que as famílias jamais esquecem: a memória afetiva da experiência. Uma família que se sentiu verdadeiramente acolhida no momento mais difícil de sua vida carrega esse cuidado como parte da história de sua perda. E essa memória, muitas vezes, transforma a percepção que ela terá do setor funerário para o resto da vida.

Sob essa perspectiva, Tiago Schietti conclui que o atendimento humanizado é também um ato de responsabilidade social. Cemitérios e serviços funerários que investem no acolhimento genuíno contribuem para processos de luto mais saudáveis, para famílias mais preparadas para seguir em frente e para uma cultura coletiva que passa a lidar com a morte de forma menos evitativa e mais integrada à vida.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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