Com R$ 50 milhões aprovados pelo BNDES e novos municípios incluídos no leilão da faixa de 700 MHz, o estado avança, mas ainda está longe dos líderes nacionais.
Quando o assunto é tecnologia e conectividade, o Acre ainda carrega o peso de ser um estado geograficamente isolado, com municípios de difícil acesso e uma malha de telecomunicações historicamente defasada em relação ao restante do Brasil. Mas 2026 trouxe novidades concretas nessa frente. O estado foi incluído em um investimento federal de R$ 50 milhões, aprovado pelo Ministério das Comunicações e pelo BNDES por meio do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações, o Funttel, destinado à expansão da infraestrutura de fibra óptica e à implantação de edge data centers em estados prioritários. Além disso, municípios acreanos foram incluídos nas metas do leilão da faixa de 700 MHz, que prevê a chegada do 5G a regiões com falhas de cobertura. O conjunto de iniciativas representa o maior movimento de modernização da infraestrutura digital no Acre nos últimos anos, mas também levanta uma pergunta relevante: será suficiente para o estado sair da 13ª posição no ranking nacional de conectividade e aproximar-se dos líderes?
O que é o edge data center e por que ele importa para o Acre
Para quem não é especialista em telecomunicações, o termo edge data center pode parecer distante da realidade do dia a dia. Mas a função dessas estruturas é simples e direta: aproximar o processamento de dados dos usuários finais, reduzindo o tempo de resposta e os pontos de falha na conexão. Em estados como o Acre, onde grande parte do tráfego de internet precisa percorrer longas distâncias até os servidores centralizados nas regiões Sul e Sudeste do país, a instalação de data centers regionais pode fazer uma diferença real na estabilidade e na velocidade da conexão.
O projeto aprovado pelo BNDES e conduzido pela Eletronet, empresa do grupo Axia Energia, prevê ampliar a malha nacional de fibra óptica de 18 mil para 26 mil quilômetros e instalar 255 desses centros de processamento distribuídos pelo país. Para o Acre, a medida deve se traduzir em redução de falhas, menor latência em serviços como videochamadas e telemedicina, e melhor desempenho em plataformas públicas digitais, todas ferramentas cada vez mais essenciais para municípios do interior que dependem de conexão estável para acessar serviços de saúde, educação e economia. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que a expansão é estratégica para acompanhar tecnologias como inteligência artificial e computação em nuvem, que já chegaram ao cotidiano de empresas e serviços públicos.
O leilão da faixa de 700 MHz e a chegada do 5G ao interior acreano
Outro avanço relevante para a conectividade no estado vem pelo leilão da faixa de 700 MHz, lançado pelo governo federal para ampliar a cobertura móvel com tecnologia 5G em regiões com falhas. Os municípios acreanos incluídos nas metas do edital são Cruzeiro do Sul, Marechal Thaumaturgo, Porto Acre e Rio Branco. Além das cidades, o projeto prevê a cobertura de 471,6 km de trechos desassistidos da BR-364, a principal rodovia federal do estado, que atravessa municípios sem sinal de celular adequado e conecta comunidades rurais distantes da capital.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, sintetizou a proposta ao afirmar que o objetivo é “levar sinal de celular e conectividade a lugares com falhas de cobertura”. Para o Acre, onde o levantamento nacional de conectividade publicado em janeiro de 2026 mostrou que o estado ocupa a 13ª posição entre os 27 estados e o Distrito Federal, o avanço é expressivo no discurso, mas ainda precisa se confirmar na prática. O Distrito Federal lidera o ranking com 100% de cobertura de backhaul de fibra óptica, seguido por Santa Catarina (99,7%) e Rio de Janeiro (98,9%). O Acre está à frente de parte dos vizinhos do Norte e Nordeste, mas ainda distante da universalização do serviço, especialmente nas áreas rurais e nas comunidades ribeirinhas e indígenas.
A conectividade como política pública: o caso das escolas acreanas
A dimensão mais sensível do atraso digital no Acre está nas escolas públicas estaduais. A Secretaria de Estado de Educação e Cultura informou que a conectividade já chegou a 186 unidades de ensino em diferentes regiões do estado, com uso de fibra óptica e tecnologia via satélite, incluindo municípios como Bujari, Xapuri, Assis Brasil, Cruzeiro do Sul e Manoel Urbano. A meta declarada pela pasta é conectar 100% das escolas da rede estadual até o fim de 2026, com a instalação adicional de 33 laboratórios de informática em escolas integrais. O chefe do Departamento de Tecnologias Educacionais, José Carlos Batista de Souza Neto, afirmou que a iniciativa faz parte de uma política de inclusão digital com foco em qualidade educacional.
O investimento em conectividade educacional tem relevância que vai além do acesso à internet. Ela define se uma geração de estudantes acreanos terá ou não as mesmas condições de aprendizado que alunos de estados mais desenvolvidos tecnologicamente. Programas de educação a distância, plataformas de ensino personalizado e certificações digitais dependem de infraestrutura estável. Até 2027, o Ministério das Comunicações já aprovou R$ 1,5 bilhão em recursos do Funttel para projetos voltados ao fortalecimento da conectividade no Brasil, o que indica que o Acre deve seguir como destinatário de novas frentes de investimento. O desafio agora é garantir que os recursos cheguem efetivamente às regiões mais isoladas do estado, onde o impacto de uma conexão de qualidade é sentido de forma mais imediata e transformadora.
Fontes: AC24Horas | Acre Agora | A Gazeta do Acre – Ranking | Gov.br/Mcom | AC24Horas – Escolas
Autor: Diego Rodríguez Velázquez