Projeto federal aprovado pelo BNDES e pelo Ministério das Comunicações vai ampliar a rede no estado e beneficiar municípios que ainda enfrentam limitações de conectividade.
A notícia chegou discretamente, mas seu impacto pode ser sentido por anos. O Acre foi incluído em um investimento federal de R$ 50 milhões aprovado pelo Ministério das Comunicações e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio de recursos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel). O objetivo é expandir a infraestrutura de fibra óptica e instalar novos centros de processamento de dados em estados considerados prioritários, entre eles o Acre, além de Rondônia, Pará, Mato Grosso e Espírito Santo. A execução ficará a cargo da Eletronet, empresa do grupo Axia Energia. Na prática, o projeto prevê ampliar a malha nacional de fibra óptica de 18 mil para 26 mil quilômetros, além de implantar 255 edge data centers pelo país, estruturas que aproximam o processamento de dados dos usuários e reduzem falhas e lentidão nos serviços digitais. Para um estado que ainda ocupa a 13ª posição no ranking nacional de conectividade, segundo levantamento publicado em janeiro de 2026, o investimento representa um passo relevante.
O que muda na prática para quem vive no Acre
Quem acompanha o cotidiano digital no interior do Acre sabe o que significa uma conexão instável: aulas online que travam, atendimentos de saúde à distância interrompidos, transações bancárias que não concluem. É exatamente esse cenário que o novo investimento pretende minimizar. A ampliação da rede de fibra óptica e a chegada dos edge data centers devem proporcionar redução de falhas na conexão, carregamento mais rápido de aplicativos e sites, melhoria na qualidade de transmissões ao vivo e menor latência para serviços digitais, todos fatores críticos para regiões com infraestrutura tecnológica ainda limitada.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, destacou que a medida vai além da conectividade técnica. “Esse investimento é essencial para levar sinal de celular e conectividade a lugares com falhas de cobertura. Todos os brasileiros precisam ter acesso à comunicação, aos serviços digitais e às oportunidades que a internet oferece”, declarou. Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a expansão é estratégica diante do avanço de tecnologias como inteligência artificial, computação em nuvem e serviços digitais. O Funttel, fundo gerido pelo Ministério das Comunicações, funciona como mecanismo de incentivo à inovação tecnológica, oferecendo financiamento para projetos que aumentam a competitividade da indústria nacional de telecomunicações.
A conectividade nas escolas e o que ainda falta avançar
Enquanto o investimento em infraestrutura digital avança no setor privado, o governo do Acre também corre para garantir que as escolas estaduais não fiquem para trás. Segundo informações da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), a conectividade já chegou a 186 unidades de ensino em diferentes regiões do estado, por meio de contratos com fibra óptica e tecnologia via satélite, além de adesão a programas federais de inclusão digital. Municípios como Bujari, Porto Acre, Acrelândia, Xapuri, Assis Brasil, Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rio Branco e Manoel Urbano já tiveram escolas contempladas.
A meta declarada pela secretaria é ambiciosa: conectar 100% das escolas da rede estadual até o final de 2026. Além da internet, a SEE anunciou a instalação de 33 laboratórios de informática em escolas integrais. O chefe do Departamento de Tecnologias Educacionais e da Informação, José Carlos Batista de Souza Neto, afirmou que a iniciativa faz parte de uma política de inclusão digital, com “recursos que reforçam o compromisso com uma educação de qualidade”. Ainda assim, o Acre ocupa a 13ª posição no ranking nacional de conectividade, o que coloca o estado à frente de parte dos vizinhos das regiões Norte e Nordeste, mas ainda distante dos líderes nacionais. O Distrito Federal lidera com 100% de cobertura de backhaul de fibra óptica, seguido por Santa Catarina (99,7%) e Rio de Janeiro (98,9%).
O leilão da faixa de 700 MHz e os municípios acreanos beneficiados
Além do investimento em fibra óptica, o Acre também foi incluído nas metas do edital de licitação da faixa de 700 MHz, lançado pelo governo federal para ampliar a cobertura móvel com tecnologia 5G em diversas regiões do país. O leilão prevê a extensão da cobertura para municípios que ainda enfrentam falhas no sinal de celular, priorizando áreas rurais e remotas. Entre os municípios acreanos que devem ser atendidos estão Cruzeiro do Sul, Marechal Thaumaturgo, Porto Acre e Rio Branco, além da cobertura de 471,6 km de trechos desassistidos da BR-364, rodovia que corta o estado e conecta localidades distantes da capital.
A iniciativa representa um reconhecimento federal de que o Acre ainda tem lacunas críticas de cobertura móvel, especialmente em trechos de rodovias e comunidades rurais. A combinação entre o leilão da faixa de 700 MHz, a expansão da fibra óptica pela Eletronet e os investimentos em conectividade educacional forma um conjunto de ações que, se implementado dentro do prazo, pode mudar de forma concreta a qualidade de acesso digital no estado nos próximos anos. Até 2027, o Ministério das Comunicações já aprovou R$ 1,5 bilhão em financiamentos pelo Funttel para projetos voltados ao fortalecimento da conectividade no Brasil, o que indica que o Acre deve seguir como alvo de novas frentes de investimento.
Fontes: AC24Horas – Fibra Óptica | Acre Agora | AC24Horas – Escolas | Gov.br/Mcom
Autor: Diego Rodríguez Velázquez