Levantamento realizado nos dias 16 e 17 de junho aponta cenário definido para o primeiro turno, mas Mailza tem 67% de aprovação na gestão.
Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (18) pelo instituto Real Time Big Data acendeu os holofotes sobre a disputa eleitoral no Acre. O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código AC-04914/2026, ouviu 1.600 eleitores acreanos nos dias 16 e 17 de junho com nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais. O resultado mostra que o senador Alan Rick, do Republicanos, lidera o cenário estimulado para o primeiro turno do governo estadual, com 13 pontos percentuais de vantagem sobre Mailza Assis, do PP, a atual governadora. Nas simulações de segundo turno, Alan Rick venceria tanto Mailza Assis quanto o ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom, do PSDB. A pesquisa também mediu a preferência para as duas vagas ao Senado pelo estado, com Gladson Cameli, Marcio Bittar e Jorge Viana como os nomes mais citados. O resultado confirma uma tendência já apontada por outro levantamento, do Paraná Pesquisas, publicado no início de junho, que indicava vantagem de mais de 16 pontos para Alan Rick no primeiro turno.
O que explica a liderança de Alan Rick
A vantagem do senador Alan Rick não surgiu do nada. Nos últimos anos, ele construiu uma presença constante tanto na política federal quanto nas demandas específicas do Acre, ocupando espaço nas pautas ligadas à Amazônia, ao desenvolvimento regional e à articulação com o governo federal para captação de recursos. O desempenho no Senado, onde representa o estado, contribuiu para consolidar uma imagem de liderança que extrapola a base do Republicanos. O movimento político em torno de sua candidatura ao governo estadual tem ganhado força desde o início do ano, com adesões de diferentes partidos e a formalização de alianças que ampliam seu espectro eleitoral.
A pesquisa do Real Time Big Data também apurou que Mailza Assis, apesar da desvantagem na corrida eleitoral, conta com aprovação de 67% dos eleitores acreanos na avaliação de sua gestão como governadora. Outros 29% desaprovam e apenas 4% não souberam ou não responderam. Entre os que avaliaram o trabalho da governadora, 44% classificaram como “ótimo” ou “bom”, 32% como “regular” e 22% como “ruim” ou “péssimo”. Esse dado mostra uma situação paradoxal: uma gestão bem avaliada que, ainda assim, não se converte em liderança na intenção de voto, fenômeno que os analistas políticos costumam atribuir ao desgaste natural de governos em final de mandato e à força de candidatos com perfil renovador.
A disputa pelo Senado e os nomes mais citados
Paralela à briga pelo Palácio Rio Branco, a disputa pelas duas vagas ao Senado pelo Acre também tem seus contornos definidos pelas pesquisas mais recentes. Tanto o levantamento do Real Time Big Data quanto o do Paraná Pesquisas indicam Gladson Cameli, do PP, como um dos nomes mais citados pelos eleitores acreanos na disputa senatorial. O ex-governador renunciou ao cargo em março e tenta voltar ao Senado Federal, de onde saiu para disputar e vencer o governo do estado em 2018. Ao lado de Cameli, Marcio Bittar, do PL, e Jorge Viana, do PT, completam o grupo de mais lembrados tanto na pesquisa espontânea quanto na estimulada.
A briga pela segunda vaga ao Senado aparece como a mais acirrada do cenário eleitoral acreano. O levantamento da Carta Capital, que analisou os dados do Real Time Big Data, destaca que Cameli lidera a disputa senatorial, mas a vaga seguinte ainda está em aberto, com a diferença entre os concorrentes dentro ou próxima da margem de erro. Para o eleitorado acreano, a composição do Senado é uma questão relevante, já que o estado depende fortemente da articulação com o governo federal para garantir obras, investimentos em infraestrutura e repasses orçamentários.
O que esperar dos próximos meses na política acreana
Com as eleições marcadas para outubro de 2026, os próximos meses prometem acelerar os movimentos partidários no Acre. O período de filiação e a formação de coligações ainda estão em andamento, e o cenário deve mudar à medida que candidatos confirmam ou descartam suas participações. A pesquisa do Real Time Big Data, a mais recente disponível, traz um retrato do momento, mas especialistas alertam que intenções de voto mudam com novos fatos políticos, escândalos, debates e aproximação da data da eleição.
O que os dois levantamentos de junho indicam com clareza é que Alan Rick parte na dianteira de uma disputa que, até aqui, não apresentou uma alternativa competitiva capaz de ameaçá-lo na reta final. Para Mailza Assis, o desafio é converter a aprovação de gestão em votos, algo que nem sempre ocorre de forma automática na política brasileira. Para o eleitor acreano, o cenário está dado: a escolha entre continuidade, renovação ou alternância de poder define não apenas o próximo governador, mas também a direção que o estado tomará nos próximos quatro anos, em temas que vão da Amazônia à economia, passando pela segurança pública e pela política de fronteiras com Peru e Bolívia.
Fontes: Gazeta do Povo – Real Time Big Data | Gazeta do Povo – Paraná Pesquisas | CartaCapital – Alan Rick | CartaCapital – Cameli
Autor: Diego Rodríguez Velázquez