Yuri Silva Portela

Diabetes na terceira idade e a importância do controle glicêmico com acompanhamento geriátrico

Por Diego Velázquez 5 Min de leitura
Yuri Silva Portela

O Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, acompanha com frequência idosos que chegam às consultas com diabetes diagnosticado há anos, mas com controle glicêmico inadequado por falta de acompanhamento especializado e adaptado às particularidades do envelhecimento. O diabetes mellitus tipo 2 afeta cerca de 20% da população brasileira acima dos 60 anos e representa uma das condições crônicas com maior impacto sobre a qualidade de vida, a autonomia e a expectativa de vida nessa faixa etária. Compreender por que o manejo do diabetes no idoso exige uma abordagem diferenciada é essencial para quem convive com ou cuida de um familiar nessa situação.

Convidamos você a conhecer mais sobre o tema e a levar para a próxima consulta geriátrica todas as dúvidas sobre o controle do diabetes do idoso que você acompanha.

Por que o diabetes no idoso é diferente do diabetes no adulto jovem?

O organismo envelhecido responde ao diabetes de formas que não se repetem nas faixas etárias mais jovens. A percepção dos sintomas clássicos de hipoglicemia, como tremores, sudorese e palpitações, frequentemente está embotada no idoso, o que torna os episódios de queda de glicose particularmente perigosos e difíceis de identificar sem monitoramento regular. Somado a isso, a hipoglicemia no idoso está associada a riscos graves como quedas, fraturas, arritmias cardíacas e episódios de confusão mental que podem ser confundidos com demência ou AVC.

A presença simultânea de múltiplas doenças crônicas e o uso de vários medicamentos tornam o manejo do diabetes no idoso ainda mais complexo. Determinados fármacos utilizados para tratar hipertensão, doenças cardíacas ou inflamações podem interferir no controle glicêmico, e a escolha dos antidiabéticos precisa considerar a função renal, o risco de hipoglicemia e o impacto sobre o peso e a massa muscular do paciente. Conforme aponta o Doutor Yuri Silva Portela, essas especificidades tornam a avaliação geriátrica indispensável para qualquer idoso com diabetes, independentemente do tempo de diagnóstico.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Quais são as complicações mais comuns do diabetes mal controlado na terceira idade?

O diabetes mal controlado acelera o surgimento de complicações que, no idoso, têm consequências particularmente graves. A retinopatia diabética compromete a visão e aumenta o risco de quedas e acidentes. A neuropatia periférica provoca dormência e dor nos pés, reduz a sensibilidade e favorece o surgimento de feridas que evoluem lentamente para úlceras de difícil cicatrização. A nefropatia diabética deteriora progressivamente a função renal, podendo levar à necessidade de diálise. Todas essas complicações são preveníveis ou atenuáveis com controle glicêmico adequado e acompanhamento regular.

O impacto cognitivo do diabetes crônico também merece atenção especial na população idosa. Evidências crescentes associam o diabetes mal controlado a um risco aumentado de declínio cognitivo e demência, por mecanismos que envolvem inflamação vascular, resistência à insulina no cérebro e episódios repetidos de hipoglicemia. O Doutor Yuri Silva Portela ressalta que proteger a cognição do idoso diabético é uma das razões mais importantes para investir em um controle glicêmico consistente e individualizado.

Como a geriatria adapta o tratamento do diabetes ao envelhecimento?

A abordagem geriátrica do diabetes parte de metas terapêuticas individualizadas, que levam em conta a expectativa de vida do paciente, sua capacidade funcional, sua rede de suporte e seus próprios objetivos de saúde. Para idosos frágeis ou com demência avançada, metas glicêmicas menos rígidas são frequentemente mais seguras e adequadas do que as recomendadas para adultos jovens, pois o risco de hipoglicemia supera os benefícios de um controle muito intensivo. Yuri Silva Portela elucida que, para idosos ativos e funcionalmente preservados, metas mais próximas das diretrizes gerais podem ser plenamente alcançáveis e desejáveis.

A educação do paciente e da família é parte indissociável do tratamento. Saber reconhecer os sinais de hipoglicemia adaptados ao perfil do idoso, monitorar a glicemia de forma regular, organizar os horários dos medicamentos e manter uma alimentação adequada são competências que precisam ser desenvolvidas com apoio profissional. 

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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