Yuri Silva Portela

A importância da reserva funcional: Yuri Silva Portela desvenda a fragilidade na terceira idade  

Por Leonid Valenko 5 Min de leitura
Yuri Silva Portela

É importante observar o prolongamento do período de recuperação de uma constipação comum, bem como a necessidade de intervalos adicionais para a realização de tarefas que anteriormente eram executadas com facilidade e a postergação de compromissos que envolvem esforço físico moderado. Essas mudanças, quando se tornam um padrão contínuo, podem ser indicativas de algo mais significativo do que a simples progressão da idade. O Dr. Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, informa que a Organização Mundial da Saúde reconhece a fragilidade como síndrome geriátrica distinta, fortemente associada à perda de reserva funcional do organismo ao longo do tempo.

A reserva funcional equivale à capacidade extra que o corpo mantém disponível para responder a qualquer exigência além da rotina habitual, seja uma infecção, uma cirurgia ou, simplesmente, um dia mais cansativo do que o normal. Em seguida, serão discutidas as consequências da redução consistente dessa margem. Tarefas que anteriormente demandavam pouco esforço passam a consumir recursos que o organismo já não repõe com a mesma facilidade de antes.

O impacto do sedentarismo e da alimentação inadequada nas reservas funcionais  

É importante ressaltar que todos os organismos possuem, naturalmente, uma capacidade que ultrapassa o necessário para as atividades cotidianas. Tal capacidade pode ser considerada uma margem de segurança diante de imprevistos e situações inesperadas. Com o avanço da idade, essa margem tende a se reduzir gradualmente, um processo que se acelera na presença de sedentarismo, alimentação inadequada ou doenças crônicas mal controladas ao longo dos anos.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

No entanto, o Dr. Yuri Silva Portela é enfático ao ressaltar que tal redução não segue um ritmo linear nem previsível. Ele ilustra sua observação, citando o exemplo de duas pessoas da mesma idade, que podem apresentar reservas completamente diferentes, dependendo de como cuidaram do próprio corpo ao longo de décadas anteriores e das oportunidades de prevenção que tiveram.

Mudanças na rotina que podem passar despercebidas

A procrastinação de tarefas domésticas anteriormente executadas com presteza, a redução da distância percorrida a pé no cotidiano e a antecipação de compromissos sociais por causa do cansaço são sinais que raramente se destacam de forma isolada. Ao longo do tempo, tais manifestações compõem um padrão que requer investigação, mesmo na ausência de queixas clínicas formais apresentadas espontaneamente pelo paciente.

Sendo assim, Yuri Silva Portela expressa que o aumento da frequência de pausas durante atividades previamente contínuas, como a preparação de refeições completas ou a organização da casa, também pode funcionar como um indicador precoce relevante, especialmente quando essa mudança ocorre em poucos meses e passa despercebida pelos familiares.

Identificação precoce da perda funcional pode preservar a autonomia de idosos

Envelhecer não implica, obrigatoriamente, uma perda da reserva funcional na mesma proporção e velocidade para todas as pessoas. A fragilidade, portanto, é caracterizada por um processo específico e mensurável, passível de identificação e reversão parcial por meio de intervenção adequada em seus estágios iniciais. Essa definição contraria a noção popular de que o cansaço e a lentidão seriam inerentes ao envelhecimento.

O Doutor Yuri Silva Portela conclui que a percepção de que todas as limitações funcionais decorrem naturalmente do processo de envelhecimento pode obstruir investigações que identificam causas tratáveis, variando desde deficiências nutricionais até efeitos colaterais de medicamentos em uso contínuo.

A percepção de mudanças na rotina como um possível indicativo de perda de reserva funcional, e não meramente como parte esperada do processo de envelhecimento, representa uma mudança significativa na forma como famílias e profissionais de saúde devem observar o idoso. A identificação precoce dessa perda aumenta significativamente as chances de preservar a autonomia por mais tempo, antes que o quadro progrida para uma fase mais difícil de reverter.

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